
Na noite desta segunda-feira (2), o governo federal enviou ao Congresso Nacional uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que inclui novas regras para o abono salarial e outras medidas de corte de despesas públicas. Publicada em edição extra do Diário Oficial da União (DOU), a mensagem busca aprovação em um cenário político de fim de ano, com apenas três semanas de atividades parlamentares antes do recesso.
Entre os principais pontos, a PEC prevê uma economia de R$ 327 bilhões entre 2025 e 2030, com R$ 70 bilhões já impactando os dois primeiros anos. Uma das mudanças mais significativas é a restrição gradual do pagamento do abono salarial, atualmente destinado a trabalhadores que recebem até dois salários mínimos, para aqueles com renda de até um salário e meio.
Outras medidas incluem a alteração no Fundo Constitucional do Distrito Federal, a prorrogação da desvinculação de receitas da União até 2032 e a inclusão de uma cláusula constitucional para limitar supersalários de servidores públicos. No entanto, os detalhes operacionais dessas mudanças serão definidos em lei complementar.
Apesar do avanço da PEC, o projeto de lei que reformula as regras de aposentadoria dos militares não foi enviado junto ao pacote. A expectativa é que o texto chegue ao Congresso nesta terça-feira (3). O presidente Lula discutiu a questão na segunda-feira com ministros e líderes do governo, após receber, no fim de semana, uma contraproposta dos comandantes das Forças Armadas.
Os militares sugeriram uma transição mais longa para a implementação da idade mínima de 55 anos para aposentadoria, o que ainda está em análise pelo governo. A articulação política para aprovação da reforma também enfrenta o desafio do calendário apertado, que inclui pautas importantes como a conclusão da reforma tributária e a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).