
Cezar Bittencourt, advogado de Mauro Cid, declarou em entrevista ao programa Estúdio I, da GloboNews, que o ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) confirmou em depoimento ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que Bolsonaro tinha conhecimento de um plano envolvendo a execução de Luiz Inácio Lula da Silva, Geraldo Alckmin e o próprio Moraes.
Poucos minutos depois, no entanto, Bittencourt voltou atrás em sua fala, afirmando que nunca mencionou um “plano de morte”. A retificação ocorreu durante a mesma entrevista, após a reconexão de uma falha técnica no sinal.
Questionado pela jornalista Andréia Sadi sobre a confirmação de Bolsonaro saber do “plano de golpe de Estado” e dos detalhes envolvendo execuções, Bittencourt respondeu inicialmente: “Confirma que sabia, sim. Na verdade, o presidente de então sabia tudo, comandava essa organização.” Ele também afirmou que Mauro Cid participava das reuniões como assessor e levava informações ao ex-presidente.
Após a retomada da conexão, Bittencourt foi questionado novamente por Sadi e recuou em sua posição inicial. “Uma coisa importante que eu tenho que retificar: eu não disse que o Bolsonaro sabia de tudo. Até porque o tudo é muita coisa, né? Alguma coisa evidentemente ele tinha conhecimento, mas o que é o plano? O plano tem um desenvolvimento muito grande”, afirmou.
O advogado enfatizou que nunca falou em um “plano de morte” ou “execução de morte”, mas sim na execução de um plano em desenvolvimento. Ainda assim, admitiu que Bolsonaro tinha conhecimento dos acontecimentos discutidos nas reuniões realizadas em novembro de 2022, incluindo uma na casa de Braga Netto, mas sem detalhar o teor dos encontros.
Mauro Cid, que está em acordo de delação premiada, prestou depoimento ao STF na quinta-feira (21), após os investigadores manifestarem insatisfação com depoimentos anteriores. Segundo a Polícia Federal, Cid omitiu informações e nomes em depoimentos passados, colocando em risco os acordos de colaboração. No entanto, após o depoimento de quinta, Moraes decidiu manter os termos da delação.