
A Justiça Federal condenou o empresário de Araguaína, Márcio César Trindade Oliveira, a dez anos, oito meses e 24 dias de prisão em regime fechado pelo crime de financiamento e custeio do tráfico internacional de drogas. Ele foi autorizado a recorrer em liberdade.
A condenação está ligada à operação Rota Caipira, realizada em abril de 2023, que desvendou um esquema de transporte de cocaína envolvendo uma rede internacional.
Segundo a sentença do juiz federal Victor Curado Silva Pereira, Márcio foi absolvido das acusações de associação ao tráfico e lavagem de dinheiro, mas condenado pelo financiamento. A defesa do empresário, representada pelo advogado Edgar Mondadori, informou que irá recorrer da decisão. “Não existem fundamentos lógicos para essa condenação, e iremos buscar sua reversão em segunda instância”, afirmou Mondadori.
A operação Rota Caipira envolveu 195 mandados judiciais, incluindo 28 de prisão preventiva e 95 ordens de busca e apreensão, além do bloqueio de R$ 300 milhões e a apreensão de 16 aeronaves. A Polícia Federal descobriu que uma aeronave modelo Beech Aircraft 58, adquirida por Márcio Trindade, foi entregue a uma organização criminosa para transporte de grandes quantidades de cocaína para países da América do Sul. A aeronave teria passado por modificações para essa finalidade.
A investigação teve início em 2020, após a apreensão de 815 kg de cocaína no Pará, e revelou que o esquema utilizava uma estrutura aérea complexa para distribuir a droga a estados do Norte e Nordeste do Brasil. As cargas tinham como destino final capitais como São Luís (MA), Teresina (PI) e Fortaleza (CE).
No julgamento, o juiz considerou que Márcio Trindade tentou se desvincular da propriedade da aeronave de forma inconsistente, o que reforçou as provas contra ele. Apesar disso, a sentença determinou que bens sequestrados pela Justiça fossem restituídos a outros réus do caso, atendendo a um pedido da defesa.
A operação Rota Caipira expôs a dimensão do tráfico internacional de drogas no Brasil e o uso de recursos sofisticados para sustentar a logística de transporte. O caso segue repercutindo, enquanto a defesa do empresário busca reverter a decisão.