Queda da ponte entre Tocantins e Maranhão: de quem é a culpa? Pesquisadora explica

Geral24/12/2024

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O desabamento da Ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira, que conectava os municípios de Estreito (MA) e Aguiarnópolis (TO) sobre o rio Tocantins, expôs um histórico de denúncias de negligência e falta de manutenção. Construída na década de 1960, a ponte era um eixo fundamental em uma região marcada pelo rápido crescimento do agronegócio, conhecida como Matopiba, que engloba Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

 

O acidente ocorreu na tarde de domingo, quando a estrutura cedeu, resultando na queda de quatro caminhões, dois automóveis e duas motocicletas no rio. Uma pessoa foi confirmada morta e outras 14 permanecem desaparecidas. Imagens compartilhadas na internet mostram o momento em que a pista se rompeu, causando o colapso da estrutura.

 

Antes do desastre, o Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (DNIT) já havia aberto, em maio deste ano, um edital de concorrência para a reforma da ponte. O documento apontava que a estrutura necessitava de atenção urgente, mencionando vibrações excessivas e desgaste visível em suas partes. Além disso, um anteprojeto datado de 2020 também destacava problemas significativos na ponte, recomendando a recuperação, reforço e reabilitação da obra. A ponte, que tem 533 metros de extensão e liga a BR-226 entre os estados do Maranhão e Tocantins, integra o corredor rodoviário Belém-Brasília.

 

Além dos danos estruturais, a tragédia trouxe riscos ambientais. Caminhões transportando ácido sulfúrico e herbicidas caíram no rio, levando as prefeituras de Estreito e Aguiarnópolis a emitirem alertas de contaminação da água. A Rede de Agroecologia do Maranhão classificou o episódio como uma “tragédia anunciada”, destacando que a infraestrutura comprometida e o transporte de substâncias químicas representam um risco contínuo.

O impacto do agronegócio e os desafios para o futuro

 

Especialistas apontam que o acidente reflete o impacto do crescimento desenfreado do agronegócio na região. Nos últimos dez anos, a produção de grãos no Matopiba cresceu 92%, chegando a 35 milhões de toneladas por ano. Esse avanço tem sobrecarregado as infraestruturas locais, como a ponte que desabou.

 

Para a professora Gilvânia Ferreira, da Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão, a situação é um alerta sobre os impactos do modelo econômico estabelecido na região. “A expansão da monocultura, impulsionada pelo uso de fertilizantes e agrotóxicos, não só sobrecarrega a infraestrutura como afeta diretamente o meio ambiente e as populações tradicionais”, disse.

 

A ponte, além de sua importância logística, tornou-se um símbolo dos danos causados pelo agronegócio, incluindo desmatamento, conflitos agrários e a precarização de comunidades locais. Segundo Gilvânia, o desabamento evidencia a necessidade de maior fiscalização e comprometimento com a segurança de infraestruturas e com a preservação dos territórios e modos de vida locais.

 

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) interditou totalmente a ponte e anunciou uma sindicância para apurar as causas do acidente. O Ministro dos Transportes, Renan Filho, prometeu a reconstrução da estrutura em 2025. Paralelamente, os Ministérios Públicos do Maranhão e do Tocantins afirmaram que acompanharão as investigações para garantir a responsabilização dos envolvidos e a segurança da população.

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