Mundo: Austrália veta redes sociais a menores de 16; medida visa a proteção da saúde mental dos jovens

Geral12/12/2025

SYDNEY, AUSTRALIA - DECEMBER 07: A 7-year-old teenage boy and a 11-year-old teenage girl look at their iPad screen on December 07, 2025 in Sydney, Australia. The Online Safety Amendment (Social Media Minimum Age) Act 2024 requires social media platforms, including TikTok, Instagram, Facebook, YouTube, Snapchat, X, Reddit, Threads, Twitch, and Kick to implement age-verification systems and take reasonable steps to prevent account creation by users under 16, with non-compliant platforms facing penalties of up to A$50 million. (Photo by George Chan/Getty Images)

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Foto: George Chan/Getty Images

A Austrália passou a vetar, a partir desta quarta-feira (10/12), o acesso de crianças e adolescentes com menos de 16 anos a redes sociais. A medida faz do país o primeiro do mundo a adotar uma proibição nacional desse tipo e tem como objetivo declarado a proteção da saúde mental e do bem-estar dos jovens.

A lei determina que plataformas como Instagram, TikTok, YouTube, Snapchat, X e outras impeçam o uso por menores da idade mínima estabelecida. O texto foi aprovado pelo parlamento australiano em 2024 e entrou em vigor após meses de debates e críticas de setores ligados à produção de conteúdo digital e a organizações de defesa dos direitos da criança.

Governo cita saúde mental e impõe sanções às plataformas:
A legislação obriga as empresas responsáveis pelas redes sociais a adotar mecanismos eficazes de verificação etária. Em caso de descumprimento, as plataformas podem sofrer multas que chegam a 50 milhões de dólares australianos, valor equivalente a cerca de R$ 178 milhões.

Ao todo, dez redes estão incluídas na proibição: Facebook, Instagram, Snapchat, Threads, TikTok, X, YouTube, Reddit, Kick e Twitch. Segundo o governo, novas contas não poderão ser criadas por menores de 16 anos, e perfis já existentes deverão ser removidos.

A decisão se baseia em um estudo encomendado pelo próprio governo australiano no início de 2025, que apontou que 96% das crianças entre 10 e 15 anos utilizavam redes sociais. O levantamento indicou ainda que sete em cada dez jovens tiveram contato com conteúdos considerados nocivos, incluindo material violento, misógino, relacionado a transtornos alimentares e incentivo ao suicídio.

O primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese, afirmou que a medida busca reduzir o tempo excessivo de exposição às telas e permitir que os jovens direcionem seu tempo para outras atividades.

Críticas, reação dos jovens e posicionamento da UNICEF:
Desde a aprovação da lei, criadores de conteúdo, adolescentes e entidades internacionais têm manifestado preocupação com os efeitos da proibição. Jovens relataram frustração por perderem um espaço de socialização e, em alguns casos, de construção profissional.

A influenciadora australiana Zoey, que produz conteúdo ao lado do pai, afirmou que a restrição não resolve o problema central e defendeu investimentos em segurança digital. Ela participou da divulgação de uma petição que pede a redução da idade mínima de 16 para 13 anos.

A UNICEF Austrália também se posicionou de forma crítica, afirmando que o foco deveria estar no fortalecimento da segurança das plataformas e na escuta ativa de crianças e adolescentes. A entidade destacou que adiar o acesso não elimina os riscos, especialmente diante de relatos de aliciamento on-line, prática conhecida como grooming, apontada por um em cada sete jovens no estudo governamental.

Aplicativos como WhatsApp, Discord, YouTube Kids e Google Classroom não foram incluídos na proibição e seguem como alternativas de comunicação para os menores. Especialistas apontam que a medida pode impulsionar o surgimento de novas soluções tecnológicas voltadas à comunicação segura entre jovens.

Tendência internacional de restrição às redes sociais:
A iniciativa australiana ocorre em meio a um movimento internacional de maior controle sobre o uso de redes sociais por menores. A Dinamarca anunciou estudos para proibir o acesso a jovens com menos de 15 anos. Na Espanha, um projeto de lei propõe autorização formal dos pais para usuários menores de 16.

Na França, o parlamento debateu a adoção de restrições mais rígidas, incluindo limites de horário para adolescentes. Já nos Estados Unidos, medidas recentes envolveram diretamente plataformas específicas, como o TikTok, em discussões sobre segurança, soberania digital e proteção de menores.

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