
A juíza Andréa Calado da Cruz, conhecida por sua atuação na Operação Integration, foi condenada pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) a pagar uma dívida decorrente de ocupação irregular de um apartamento de alto padrão em Boa Viagem, Recife.
A decisão, emitida em agosto de 2022 e agora em fase de cumprimento de sentença, exige que a magistrada quite o débito de R$ 261,8 mil, correspondente a valores de “aluguel” e indenizações. O prazo para o pagamento expirou na última sexta-feira (25), e os bens de Andréa Calado estão, assim, sujeitos a penhora.
O imóvel, com três vagas de garagem, duas suítes e área de 298,4 m², foi arrematado por novos proprietários em um leilão em dezembro de 2021. Andréa Calado, no entanto, teria se recusado a desocupar o local, levando os compradores a acionarem a Justiça. Em junho de 2022, foi ajuizada uma ação de imissão de posse e indenização por “ocupação injusta”, em que os autores apontaram a continuidade da magistrada no imóvel sem arcar com IPTU, condomínio ou outras despesas.
Além desse processo recente, Andréa Calado acumula histórico de controvérsias em sua carreira judicial. Atuando há mais de 20 anos, a juíza já esteve envolvida em polêmicas na Vara da Infância e Juventude, sendo investigada em uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre tráfico de pessoas.
Em outra ocasião, foi alvo de representação da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) por suposta manipulação na distribuição de processos criminais. Em 2015, o TJPE aplicou uma advertência formal à magistrada por conduta inadequada, incluindo assédio moral e vazamento de informações processuais.
Na Operação Integration, deflagrada em setembro, Andréa Calado voltou ao noticiário ao ordenar a prisão preventiva de diversas figuras públicas, entre elas o cantor Gusttavo Lima e a influenciadora Deolane Bezerra, envolvidos em um suposto esquema de lavagem de dinheiro.
A decisão foi contestada pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco e reverteu-se em habeas corpus, concedido a todos os investigados.