
A defesa da pastora e ex-deputada federal Flordelis, que está presa desde 2021 pela acusação de envolvimento na morte do marido, Anderson do Carmo, se manifestou após ela ser colocada em regime de isolamento na última quinta-feira (5). A decisão foi tomada pela Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) após a descoberta de um celular na cela onde a ex-deputada estava detida.
O episódio ocorreu na Penitenciária Talavera Bruce, localizada em Bangu, zona oeste do Rio de Janeiro. O celular teria sido encontrado na cela onde Flordelis divide espaço com outras três mulheres.
Os advogados de Flordelis afirmam que a ex-deputada não estava com o celular e que outra detenta assumiu ser a proprietária do aparelho. Além disso, alegaram que o celular foi encontrado em uma cela diferente da dela e questionaram a conduta da administração penitenciária ao realizar essa medida.
O texto da defesa afirmou ainda que a Seap estaria utilizando detentos conhecidos, como o caso de Flordelis, para buscar vantagens internas dentro da estrutura da penitenciária. “O que dá mídia, likes e repercussão é o nome e a eterna novela Flordelis, sempre às vésperas de decisões judiciais que podem garantir a ela um novo júri”, diz a nota.
Os defensores alegaram ainda que, no momento da inspeção realizada pela Seap, Flordelis estava sendo chamada por outras detentas para orar. O momento coincidiu com a ação de guardas da Seap no local, resultando no isolamento dela.
Em nota, a defesa argumentou que a Seap aplicou a decisão sem passar por nenhum procedimento formal ou contraditório mínimo, o que seria uma prática ilegal segundo a legislação. O documento alertou que a penalidade foi “coletiva e genérica”, o que contraria as normas legais brasileiras.
Além disso, os advogados destacaram que a situação agravou o estado mental da ex-deputada, já diagnosticada com depressão e síndrome do pânico por médicos da Seap, que, segundo eles, haviam recomendado que ela não fosse submetida a isolamento.
O isolamento resultou na perda de benefícios de socialização, como participação em atividades como coral, oficinas de crochê, estudos na biblioteca e outros programas internos. Segundo a defesa, qualquer dano sofrido por Flordelis será responsabilizado ao Governo do Estado do Rio de Janeiro, já que é dever do Estado garantir a segurança dos detentos.
O texto finalizou com a garantia de que a situação será monitorada judicialmente, e qualquer violação será responsabilizada pela defesa legal da ex-deputada.