
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado Federal, que apura irregularidades em sites de apostas no Brasil, deve votar nesta terça-feira (19) uma convocação de artistas e influenciadores associados a essas plataformas. Entre os nomes citados, está a advogada e influenciada Deolane Bezerra, que foi presa em Recife durante a Operação Integração da Polícia Civil de Pernambuco, sob suspeitas de envolvimento em lavagem de dinheiro e operação de jogos ilegais.
A investigação aponta que a quadrilha responsável movimentou cerca de R$ 3 bilhões em quatro anos. Deolane, que nega qualquer envolvimento em atividades ilícitas, pode ser convocado para esclarecer seu suposto papel na promoção de apostas e em possíveis operações financeiras ligadas às plataformas.
O senador Izalci Lucas (PL-DF), autor do requerimento, destaca a importância de ouvir influenciadores para entender como essas empresas utilizam figuras públicas para atrair consumidores. “Sua convocação é necessária para especificar seu envolvimento na promoção de apostas e o possível uso de sua imagem para legitimar operações financeiras ilícitas”, argumenta.
A relatora da CPI, a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), também apresentou requisitos para convocar outras personalidades, como o cantor Wesley Safadão, o humorista Tirulipa e a influenciadora Jojo Todynho. Safadão, por exemplo, teria promovido apostas, o que, segundo a senadora, exige esclarecimentos sobre sua possível associação e consciência dos impactos sociais e financeiros das plataformas em questão.
Além de influenciadores, a comissão pode convocar autoridades como o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias. A lista inclui ainda Ricardo Liáo, presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), e Regis Dudena, secretário de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.
Os deputados que primeiro aprovarem a votação terão obrigação de comparação. No entanto, aqueles em condição de investigados podem optar pelo silêncio para não se autoincriminarem. A análise de documentos, como os relatórios de inteligência financeira (RIFs) do Coaf, também integra a pauta da CPI.