
A Caixa Econômica Federal anunciou, em outubro, novas diretrizes para financiamentos imobiliários com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). A partir de sexta-feira (1º), o banco exige que os compradores aumentem o valor de entrada na compra de imóveis.
Essa mudança reflete a crescente demanda no setor e o maior volume de saques da caderneta de poupança, que fornece os recursos para esses financiamentos.
As novas regras estabelecem que a Caixa financiará imóveis avaliados ou adquiridos por até R$ 1,5 milhão com recursos do SBPE.
Além disso, os clientes não poderão possuir outro financiamento imobiliário ativo com a instituição, uma medida que altera o modelo anterior, no qual não havia limite no valor dos imóveis financiados com o SBPE nem restrições para múltiplos financiamentos ativos.
As cotas de financiamento também sofreram alterações. Pelo Sistema de Amortização Constante (SAC), a Caixa passará a financiar até 70% do valor do imóvel, uma redução em relação aos 80% vigentes até outubro. Pelo sistema Price, o financiamento será limitado a 50% do valor total do imóvel, ante os 70% anteriores.
Essas mudanças indicam que os compradores precisarão investir um valor maior como entrada, tanto no modelo SAC quanto no modelo Price, que apresenta prestações fixas ao longo do contrato.
Os imóveis vinculados a empreendimentos já financiados pela Caixa manterão as condições vigentes, e essas mudanças não têm prazo de validade determinado, podendo ser permanentes. Além disso, os financiamentos já em vigor não serão afetados.
Essas alterações refletem a pressão sobre a caderneta de poupança, que em setembro registrou o maior volume de saques do ano, com R$ 7,1 bilhões, e, segundo o Banco Central, teve três meses consecutivos de retiradas líquidas. Até setembro, a Caixa concedeu R$ 175 bilhões em crédito imobiliário, representando um crescimento de 28,6% em relação ao ano anterior. No segmento de financiamentos com recursos do SBPE, o banco detém 48,3% do mercado, com operações que somam R$ 63,5 bilhões.
Em nota oficial, a Caixa informou que, frente à demanda crescente, busca alternativas junto ao mercado e ao governo para expandir o crédito habitacional, apoiando a ampliação do financiamento imobiliário não apenas pela Caixa, mas por outros agentes de mercado.