Carne fica quase 21% mais cara em 2024; entenda por que o preço disparou e se vai baixar

Geral10/01/2025

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Após registrar queda de 9% em 2023, o preço da carne no Brasil apresentou um aumento significativo de 20,84% em 2024, a maior alta desde 2019, segundo dados do IBGE divulgados nesta sexta-feira (10). A proteína se tornou o item de maior impacto na inflação de alimentos deste ano, que chegou a 7,69%, contribuindo com 0,52 ponto percentual no índice geral.

 

Cortes populares, como acém (25,2%), patinho (24%) e contrafilé (20%), lideraram os aumentos. Apesar disso, os preços só começaram a subir a partir de setembro, após meses de quedas consecutivas.

O Papel do ciclo pecuário e a escassez de oferta

 

O comportamento do mercado de carne reflete os ciclos naturais da pecuária, explica Felippe Serigati, especialista da FGV. Durante o período de alta no ciclo, pecuaristas retêm fêmeas para reprodução, reduzindo a oferta de animais para abate. Já nos momentos de baixa, mais fêmeas são abatidas, o que aumenta a disponibilidade de carne e reduz os preços.

 

Nos últimos dois anos, o Brasil viveu uma fase de alta oferta, com mais de 10 milhões de cabeças abatidas no terceiro trimestre de 2024 — um recorde histórico. Contudo, a inversão do ciclo no final do ano, somada à redução do número de nascimentos, elevou o preço do bezerro em 32% entre julho e dezembro de 2024. Essa dinâmica deve manter os preços pressionados até 2025 e 2026.

Impactos da seca, exportações e demanda interna

 

A seca severa registrada em 2024 agravou o cenário, reduzindo a produção de pastagens e, consequentemente, a disponibilidade de gado para abate. Sem pasto suficiente, muitos pecuaristas optaram por não investir em confinamento com ração devido aos custos elevados, limitando ainda mais a oferta.

 

Paralelamente, as exportações de carne brasileira atingiram 2,8 milhões de toneladas, um aumento de 25% em relação a 2023, impulsionado pela alta demanda global. Outros grandes produtores, como Austrália, Estados Unidos e Argentina, enfrentaram dificuldades para atender seus mercados, beneficiando o Brasil, maior exportador mundial.

 

No mercado interno, a recuperação econômica e os benefícios sociais também contribuíram para o aquecimento do consumo. A melhora na renda, o pagamento do 13º salário e as festividades de fim de ano sustentaram a demanda por carne bovina, considerada essencial na mesa do brasileiro.

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