Invasão na Ucrânia: Putin rejeita acordo de paz em reunião nos EUA e eleva tensão com Europa

Geral02/12/2025

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Foto: Sergei Ilnitsky/ Reuters

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, rejeitou nesta terça-feira (2) as propostas incluídas no plano de paz discutido entre Ucrânia, União Europeia e governo de Donald Trump. Durante reunião em Moscou com o enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, o líder russo declarou que a Europa “não deseja a paz” e que está preparado para um confronto militar.

Putin afirmou que está disposto a negociar, mas advertiu que, se não houver acordo, as tropas russas devem avançar sobre novos territórios ucranianos. A declaração ocorre em meio ao aumento das tensões entre Moscou e países europeus, que ampliaram investimentos em defesa diante do prolongamento da guerra.

Recusa ao plano de paz e tensões entre Rússia e Europa:
O plano original apresentado pelos Estados Unidos continha 28 pontos considerados favoráveis a Moscou, como a cessão de aproximadamente 20% do território ucraniano, a proibição de entrada da Ucrânia na Otan e a redução do Exército de Kiev de 900 mil para 600 mil militares. Após críticas de europeus e ucranianos, partes do documento foram reformuladas, incluindo uma sugestão de redução menor do efetivo, para 800 mil soldados.

Putin classificou as exigências atualizadas como “inaceitáveis”, sem detalhar quais pontos rejeitou. O Kremlin também reagiu à recente declaração do comandante militar da Otan sobre possíveis “ataques preventivos” contra a Rússia, medida que a aliança avalia para responder a ações de guerra híbrida atribuídas a Moscou.

A reunião com Steve Witkoff, enviado do governo Trump, buscou destravar as tratativas de cessar-fogo. Segundo Moscou, novas propostas europeias foram entregues, mas não divulgadas.

Avanço russo e disputa pela cidade estratégica de Pokrovsk:
Enquanto as negociações seguem, o Exército russo afirma ampliar o controle sobre cidades no leste da Ucrânia. Na segunda-feira (1º), Moscou anunciou a captura de Pokrovsk, na região de Donetsk, após quase um ano de combates.

O porta-voz Dmitry Peskov declarou que Putin foi informado sobre a tomada da cidade. O Ministério da Defesa russo divulgou imagens de soldados hasteando a bandeira russa na praça central. Kiev, porém, não confirmou a perda do território. Tropas ucranianas disseram à Reuters que ainda controlam o norte de Pokrovsk e realizam ações ofensivas no sul.

Pokrovsk é considerada estratégica por concentrar entroncamentos rodoviários e ferroviários que abastecem unidades ucranianas no leste. A possível queda da cidade poderia facilitar avanços russos em direção a Kramatorsk e Sloviansk, além de dificultar o envio de suprimentos pela Ucrânia.

A Rússia também afirmou ter entrado em Vovchansk, na região de Kharkiv, mas a informação não foi confirmada de forma independente. Desde maio de 2024, Vovchansk sofre danos extensos devido aos confrontos.

Dados do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW) apontam que as tropas russas realizaram, no último mês, o maior avanço territorial desde novembro de 2024. Atualmente, Moscou controla mais de 19% da Ucrânia, segundo estimativas de organismos independentes.

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