Foto: Motagem/g1
A chacina que resultou na morte de seis pessoas em Miracema do Tocantins completa três anos nesta semana. O caso teve início após o assassinato do sargento da Polícia Militar Anamon Rodrigues, durante um confronto em fevereiro de 2022. Desde então, a Polícia Civil segue investigando os crimes, mas nenhum suspeito foi preso.
As mortes ocorreram entre os dias 4 e 5 de fevereiro daquele ano. Após o homicídio do policial, seis pessoas foram assassinadas na cidade: Valbiano Marinho da Silva, Manoel Soares da Silva, Edson Marinho da Silva, Aprigio Feitosa da Luz, Pedro Henrique de Sousa Rodrigues e Gabriel Alves Coelho.
Para familiares das vítimas, a busca por justiça continua. Celene Alves, mãe de Gabriel, de 18 anos, reforça que seu filho não tinha ligação com facções criminosas e aguarda respostas da investigação. “Até hoje, não sabemos de nada. Queremos justiça, porque meu filho não era envolvido com crimes”, declarou.
Impacto para as famílias e atuação do Ministério Público
Desde a tragédia, os familiares das vítimas lidam com a dor e a incerteza. Maria do Carmo Paula, que perdeu o marido e dois filhos, relata que as memórias daqueles dias são constantes. “Preciso tomar remédios diariamente. Quando não tomo, revivo tudo. É impossível esquecer”, afirmou.
O Movimento Estadual dos Direitos Humanos levou o caso à Anistia Internacional, que acompanha a situação como uma grave violação de direitos humanos. “A chacina afronta os direitos fundamentais e expõe falhas do Estado”, destacou Fátima Dourado, assessora jurídica do movimento.
A Secretaria de Segurança Pública informou que a Polícia Civil segue com as investigações, conduzidas pelo delegado Afonso Lyra, da Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado. “As investigações estão avançadas e esperamos concluir o inquérito em breve”, declarou o delegado.
Desdobramentos e suspeitas
A morte do sargento Anamon Rodrigues aconteceu durante um confronto na noite de 4 de fevereiro de 2022. O policial foi atingido no tórax por um disparo de calibre 22 e não resistiu aos ferimentos. Horas depois, Valbiano Marinho da Silva, suspeito pelo assassinato, foi morto dentro de casa, diante de familiares.
Na mesma noite, seu pai e irmão, Manoel Soares e Edson Marinho, foram levados para a delegacia para prestar depoimento. Durante a madrugada, o local foi invadido por homens encapuzados que atiraram contra os dois. Segundo laudos periciais, as vítimas foram executadas com diversos disparos de armas de diferentes calibres.
Na manhã seguinte, os corpos de Aprigio Feitosa, Gabriel Alves e Pedro Henrique foram encontrados em um loteamento na cidade. Um jovem de 18 anos sobreviveu à chacina, apesar de ter sido baleado nas costas.
Em junho de 2022, a Polícia Civil e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) cumpriram 25 mandados de busca e apreensão em Miracema, Palmas e Lajeado. Entre os alvos estavam casas de policiais militares e batalhões da PM. Ninguém foi preso.
A SSP-TO reafirmou que as investigações prosseguem sob sigilo judicial e novas informações serão divulgadas no momento oportuno.