
O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), anunciou nesta terça-feira (17) que a votação do projeto de regulamentação da reforma tributária ocorrerá nas próximas horas, assim como outras propostas que integram o pacote fiscal. Lira explicou que a pauta inclui, além da reforma tributária, o projeto de lei que trata das multinacionais, a proposta de incentivo ao turismo e o PLP 210, um dos projetos do pacote fiscal.
“Estamos discutindo, conversando e encontrando textos para votar, mas o calendário de votação é esse”, afirmou Lira, ao chegar à Câmara na tarde de hoje.
O PLP 210, mencionado por Lira, faz parte de um conjunto de medidas fiscais enviadas pelo governo ao Congresso, focadas em cortar gastos. Entre as disposições, o projeto limita a concessão de créditos tributários em casos de déficit orçamentário e dá ao governo maior controle sobre o congelamento do pagamento de emendas parlamentares. O texto prevê que o Executivo poderá bloquear ou contingenciar recursos, de acordo com o congelamento de outras despesas discricionárias.
Lira também confirmou que outros projetos do pacote fiscal, como a proposta que limita o aumento real do salário mínimo e a que restringe o acesso ao abono salarial, devem ser discutidos e votados na quarta-feira (18). O relator do pacote fiscal, deputado Átila Lira (PP-PI), afirmou que apresentará seu parecer no fim da tarde.
A regulamentação da Reforma Tributária, que trata da implementação de novos impostos sobre consumo, foi uma das principais pautas mencionadas por Lira. O projeto define a criação de três tributos: o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto Seletivo. Estes impostos irão substituir os atuais PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS, em um período de transição entre 2026 e 2033. Além disso, a proposta prevê um mecanismo de devolução de impostos para famílias de baixa renda cadastradas no Cadastro Único (CadÚnico), o chamado “cashback”, e estabelece quais produtos terão isenção ou redução de carga tributária.
O projeto já passou pela Câmara, mas retornou para novas discussões após o Senado ter feito alterações. As mudanças precisam ser aprovadas pela Câmara para que o texto final seja enviado ao governo. O relator da reforma tributária na Câmara, deputado Reginaldo Lopes (PT-SP), apresentou um parecer com alterações em relação à versão aprovada pelo Senado.
Uma das principais modificações no relatório da Câmara foi a reintrodução de bebidas açucaradas, como refrigerantes, refrescos e chás prontos, no rol de produtos sujeitos ao imposto seletivo. O Senado havia excluído esses itens, mas o relator considerou necessário incluí-los novamente. Outra mudança significativa foi a exclusão do desconto de 60% nas alíquotas para serviços de saneamento básico, que havia sido proposto na versão inicial.
Além disso, o relatório retirou o desconto de 60% nas alíquotas sobre serviços veterinários e restabeleceu a alíquota de 30%. A proposta também manteve a tributação de 8,5% sobre as Sociedades Anônimas de Futebol (SAF), rejeitando as mudanças do Senado que sugeriam isenção de imposto de renda nas transações de jogadores de futebol.
Para que as alterações no texto da reforma tributária sejam aprovadas, é necessário o apoio de pelo menos 257 deputados. Deputados e senadores estão em uma semana decisiva para aprovar várias propostas antes do recesso parlamentar, que começará oficialmente na próxima segunda-feira (23).
A regulamentação da reforma tributária é considerada uma das mais importantes para o governo, e sua aprovação ainda depende de discussões intensas no Congresso.