Saiba como agia o pastor condenado por abusos adolescentes no Tocantins

Segurança14/11/2024

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Uma das vítimas que denunciou o pastor Gilmar Ferreira Maróstica revelou detalhes de como o líder religioso se aproximava dos jovens, alegando práticas espirituais. Com discursos incisivos e rituais que incluíam o uso de “óleos ungidos”, ele alegava realizar “orações” nas partes íntimas dos adolescentes da igreja.

 

Segundo a denúncia, o pastor teria essas ações coordenadas no grupo de jovens da igreja Embaixada Apostólica Filadélfia, em Guaraí.

 

Conforme o processo, Gilmar foi investigado pela Polícia Civil e denunciado pelo Ministério Público Estadual (MPE). O Tribunal de Justiça do Tocantins condenou a 13 anos e meio de prisão pelos crimes de estupro, atos libidinosos e conjunção carnal, todos os crimes sob o uso de influência religiosa e abuso de autoridade. O religioso, que recorreu da sentença, responde atualmente em liberdade enquanto o MPE busca aumentar a pena.

Depoimentos revelam impactos psicológicos duradouros

 

Diversas vítimas, em depoimentos à Justiça, contando os traumas e as consequências dos abusos cometidos pelo pastor. Uma mulher afirmou que continua no tratamento psicológico devido ao impacto dos episódios vívidos, descrevendo o sofrimento ao vê-lo ainda ativo em outra congregação. “Acontece de você andar pela cidade e vê-lo como pastor em outra igreja. Ele vive tranquilamente, enquanto eu luto para superar o trauma”, desabafou.

 

Outro relato narra um episódio em que Gilmar teria trancado uma jovem em uma sala e exposto seu órgão genital. Ela se sentiu intimidada e emocionalmente abalada. “Me senti acuada, calada e mais triste do que já estava”, disse a jovem, evidenciando a complexidade e profundidade das marcas psicológicas deixadas pelo abuso.

Investigações e processo judicial

 

As primeiras denúncias surgiram em 2019, quando jovens começaram a notar atitudes convencionais do pastor. Segundo o promotor de justiça Adriano Ziza, a Maróstica visava especialmente os jovens com ausência de uma figura paterna, aproveitando-se de suas vulnerabilidades. “Ele se aproximava mais daqueles que cresceram sem o pai e buscavam nele uma orientação. Assim, propunha esse tipo de liturgia abusiva”, explicou o promotor.

 

Em outubro, o Tribunal de Justiça do Tocantins determinou pena inicial de 13 anos e seis meses de reclusão para o pastor, em regime fechado. Entretanto, com o recurso interposto pela defesa, ele segue em liberdade até a decisão final. O MPE, por sua vez, já informou que buscará um aumento da pena, considerando a gravidade dos abusos.

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