
Três policiais militares do estado estão sendo investigados sob suspeita de se apropriarem de veículos apreendidos e venderem-nos de forma ilegal em ferros-velhos. A denúncia, oferecida pelo Ministério Público Estadual (MPE), aponta que os militares chegaram a vender carros como sucata por valores em torno de R$ 10 mil.
Segundo o inquérito, realizado pela Corregedoria da Polícia Militar, o grupo se apropriou de pelo menos nove carros e 30 motocicletas entre o final de 2021 e o início de 2022. A denúncia foi acatada pela Vara da Justiça Militar em Palmas, onde o caso segue tramitando como Ação Penal Militar.
O Ministério Público do Tocantins (MPTO) acusou o major Dianyr Jales da Silva, o 2º tenente Adelman Lustosa Neto e o 3º sargento Cícero Gomes da Silva Neto pelos crimes de peculato e extravio, previstos no Código Penal Militar, e por formação de organização criminosa. Caso sejam condenados, as penas podem ultrapassar 30 anos de prisão.
O advogado de defesa do sargento Silva Neto, Antônio Ianowich, afirma que o cliente é inocente e acredita que o processo revelará a verdade, garantindo a absolvição do policial. Já o defensor do major Dianyr Jales, Maurício Haeffner, optou por não se manifestar publicamente, destacando que a defesa se pronunciará exclusivamente nos autos do processo.
De acordo com a investigação, o major Dianyr, enquanto comandante da 4ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM), teria autorizado o tenente Lustosa e o sargento Silva Neto a venderem motocicletas e automóveis apreendidos. Os veículos eram removidos das unidades por guinchos e transportados a ferros-velhos na região de Lagoa da Confusão e cidades vizinhas.
A denúncia detalha que outros oficiais da PM, ao observarem o aumento nas retiradas de veículos dos pátios, relataram o caso aos superiores. Durante as investigações, três homens foram presos em posse de 25 motocicletas que deveriam estar sob custódia nos pátios da PM. Os receptadores informaram que negociavam as motos com os militares e as revendiam após manutenção, gerando lucros que, segundo a denúncia, eram parcialmente repassados aos policiais envolvidos.
Em nota, a Polícia Militar declarou que está levantando informações detalhadas sobre o caso para contribuir com o andamento das investigações.